Gravado em São Gonçalo do Rio das Pedras, distrito da cidade mineira do Serro, na entrada do Vale do Jequitinhonha, o EP carrega a atmosfera do território onde foi registrado. Entre dias chuvosos de dezembro, estrada de terra e o cenário das pedras que marcam a paisagem da região, as canções foram criadas em uma experiência coletiva de convivência e produção artística.
A sonoridade do trabalho parte da centralidade dos tambores e da percussão para construir uma paisagem musical que dialoga com diferentes linguagens. As faixas transitam entre ritmos afro-brasileiros, hip hop, axé, pagodão baiano e o chamado “blues do sertão”, refletindo a diversidade estética do projeto.
A base rítmica das canções é conduzida pela percussão sob a regência criativa de Laiza Lamara, que integra também o bloco Tapa de Mina e diversas baterias que ajudaram a reinventar o carnaval de Belo Horizonte. O EP conta ainda com a participação dos percussionistas Aruanã do Amaral Gomes, Julianismo e Valéria Santos, além dos músicos Miguel Javaral e Gustavo Cunha.
A gravação, mixagem e masterização são assinadas por Thiago Guedes, enquanto a
direção de arte, fotografia e vídeo são de Virgínia Dandara, compondo uma identidade
visual inspirada na ideia de sementes crioulas e nos processos de germinação que
atravessam o projeto.
Além da dimensão estética, Interioranas afirma também uma perspectiva política e afetiva. Liderado por mulheres negras queer, o projeto constrói um repertório que articula experiências cotidianas, afetos e reflexões sociais presentes na poesia de Nívea Sabino.
Entre as faixas do EP estão “Sem Medir Fala”, que dialoga com o hip hop e a musicalidade de terreiro; “O Cheiro da Mexerica”, com influências do pagodão baiano e atmosfera afrofuturista; “Meu Dengo”, que mistura referências do axé com sensibilidade indie; e “Amor de Jatobá”, composição que encerra o trabalho evocando o chamado “blues do sertão”.
“Semente que Quer Brotar” representa um novo momento do projeto Interioranas,
aprofundando a pesquisa musical iniciada no primeiro EP e reafirmando a força da poesia
como matéria sonora e da música como espaço de encontro.